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Ushnishavijaya, conhecida na tradição tibetana como Namgyalma, é uma das grandes deidades de longa vida do budismo tibetano. Sua prática, porém, não se limita ao desejo de viver mais. Ela reúne longevidade, purificação dos obscurecimentos, mérito, sabedoria, bodhicitta e uma forma mais lúcida de encarar a doença, o medo, a morte e o valor do tempo.
Este livro oferece uma apresentação ampla, cuidadosa e orientada à prática. Começa pelas questões humanas que tornam o caminho de Ushnishavijaya significativo: impermanência, sofrimento, karma, responsabilidade e a fragilidade da vida. A partir daí, examina as escrituras, o desenvolvimento histórico da tradição, as linhagens, a iconografia e o significado de seu corpo branco, de suas três faces, oito braços, mudras, instrumentos rituais e vaso de amrita.
A obra aprofunda os sentidos budistas da longevidade, da purificação, do mérito, da sabedoria e da bodhicitta, mostrando como esses temas se ligam à ética e à transformação do corpo, da fala e da mente. Também apresenta oferendas, recitação, visualização, refúgio, dedicação de mérito e diferentes formas de prática devocional.
O volume inclui materiais tradicionais e abreviados de prática, a Sadhana da Nobre Ushnishavijaya, um ritual conciso, o mantra do coração, um louvor para a longevidade e uma liturgia relacionada às Três Deidades da Longevidade.
Um dos pontos centrais do livro é distinguir claramente entre práticas abertas de veneração e recitação e métodos Vajrayana que dependem de iniciação, transmissão oral e instruções de um mestre qualificado. A tradição não é tratada como superstição, mas também não é reduzida a uma técnica psicológica moderna.
Em vez de misturar indiscriminadamente rituais de fontes diferentes, o livro procura indicar contextos, variantes e limites de transmissão. Assim, o leitor pode compreender o que está estudando sem confundir devoção, leitura, prática cotidiana e autorização formal.
O resultado é uma obra que aproxima doutrina, história, imagem sagrada e prática real. Pode servir tanto a quem encontra Namgyalma pela primeira vez quanto ao praticante que busca uma referência mais completa, responsável e consciente da tradição.
No fundo, a pergunta não é apenas como viver mais tempo, mas o que fazer com o tempo que ainda temos.
Há ainda uma preocupação constante com a relação entre fé e responsabilidade. A recitação não substitui cuidados médicos, e a purificação não apaga automaticamente as consequências das ações. O livro insiste que a prática ganha profundidade quando modifica escolhas, relações e a maneira concreta de usar a própria vida.