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"O Pai nosso" de Lutero mereceu, desde a primeira edição alemã até inclusive o século dezenove, ser traduzido para diversas línguas; e em todas partes obteve uma calorosa acolhida. São famosas as palavras do censor veneziano, que, ao estudar o manuscrito da versão italiana - com certeza, sem constar o nome do reformador - exclamou: "Benditas sejam as mãos que escreveram isso, benditos os olhos que leem essas páginas e benditos serão os corações que creem e imploram a Deus essa oração do modo aqui ensinado". "O Pai nosso" de Lutero é uma obra devocional e edificante no melhor sentido da palavra; devocional, porque convida, ou melhor, obriga a uma meditação piedosa e profunda; edificante, na medida em que torna palpável a infinita misericórdia de Deus para conosco, despertando fé onde ela inexista, ou seja muito fraca, e reafirmando-a, se já existe e floresce. Oferece, além do mais, "O Pai nosso", juntamente a detalhes de suavíssima e saborosa substância - que dão à exposição total um valor extraordinário - a vantagem de uma elevada clareza de pensamento e expressão. Lutero, o teólogo, cede aqui seu lugar ao Lutero crente; pois o reformador compôs esta obra não para o consolo espiritual dos teólogos, senão para uma leitura proveitosa do ímpio. No ano de 1517 Lutero pronunciou uma série de conferências em latim sobre o Pai nosso. Um de seus discípulos - João Schneider, conhecido por "Agrícola" - traduziu seus apontamentos para o alemão e os publicou, mas, pelo visto, sem imprimir muito esmero em seu trabalho. Ainda que a obra obteve uma boa acolhida, Lutero se mostrou descontente com a versão de "Agrícola", pelo motivo indicado, e tomou o propósito de publicar ele mesmo um novo escrito. Todavia, primeiro dedicou um bom tempo para explicar o "Pai nosso" em reuniões noturnas para "crianças e pessoas humildes", explicações que reproduziu no "Pai nosso", publicado por Lutero em 8 de abril de 1519, e que hoje nós oferecemos. Queira Deus derramar suas bênçãos também sobre aqueles que hoje têm o privilégio de poderem se abismar com estas páginas.
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