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O mar que vai e volta. A estrada que não acaba. A cela que a gente mesmo tranca. A raiz que segura quando o resto cede.
Enquanto durarmos reúne a poesia de Vinícius Macêdo em seis movimentos que vão de dentro para fora: o eu diante de si, o tempo que o atravessa, a queda e o reerguer, o amigo e a falta, o amor, e o que está acima de tudo isso.
É a poesia de um advogado - e isso se ouve. Ela apresenta a questão, examina as hipóteses e conclui. Traz para dentro do verso palavras que ninguém mais usa em poesia: irresignação, irretroativo, status ad quem. E quase nunca fica na primeira pessoa: começa em "eu" e escorrega para "nós" na estrofe seguinte, o que faz o leitor entrar em vez de assistir.
No centro do livro está 24 anos, o poema em que esse "nós" desaparece e não volta. Um filho chama o pai por oito nomes diferentes - amigo, protetor, confidente, conselheiro, guerreiro - até chegar em "Ei.", sozinho, sem substantivo. Quando não sobra nome nenhum, o poema termina.
O livro fecha em Não desista: "Respire, sinta e ame. Você ainda pode."
Não é um final otimista. É um final teimoso. E teimosia, neste livro, é uma forma de fé.
Acompanha o devocional Enquanto há tempo, publicado simultaneamente.
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